Mudanças climáticas, biodiversidade, saneamento e resíduos.
Panorama brasileiro e global e principais pegadinhas em provas do Cebraspe (Certo/Errado).
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) é o órgão científico da ONU que avalia as mudanças climáticas. Seus relatórios (AR6, 2021-2023) afirmam que o aquecimento atual é inequivocamente causado por atividades humanas (queima de combustíveis fósseis, desmatamento). A banca pode afirmar que "não há consenso científico sobre a origem humana do aquecimento", o que é falso diante do IPCC.
O sistema PRODES (INPE) mede o desmatamento anual por corte raso (agosto a julho). Após pico de 13.038 km² em 2021, a taxa caiu para cerca de 5.000 km² em 2025. O DETER, por sua vez, é um sistema de alerta diário. A banca pode confundir PRODES (taxa anual oficial) com DETER (alertas em tempo real) ou afirmar que a taxa de 2025 superou a de 2021, o que não procede.
O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado em 2023, destinou recursos para obras de saneamento. O BNDES apoia concessões e PPPs para universalização. A banca pode afirmar que "o saneamento básico é exclusivamente público", mas o Marco Legal permite concessões privadas e PPPs, o que tem sido incentivado.
O Brasil enfrentou ondas severas de queimadas em 2024, especialmente no Pantanal e na Amazônia, agravadas por secas extremas e condições climáticas. A maior parte das queimadas tem origem antrópica (ação humana). A banca pode afirmar que as queimadas foram exclusivamente por causas naturais (raios), o que subestima o peso da ação humana.
O Brasil é o país mais megadiverso do mundo, abrigando cerca de 15% a 20% da biodiversidade global. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC – Lei 9.985/2000) define categorias de proteção (proteção integral e uso sustentável). A banca pode afirmar que "todas as unidades de conservação permitem exploração econômica", o que é falso para as de proteção integral.
A Lei 12.305/2010 instituiu a responsabilidade compartilhada e a logística reversa. O prazo para o fim dos lixões foi inicialmente 2014, depois prorrogado sucessivamente (até 2024). Apesar da lei, milhares de lixões ainda operam na ilegalidade. A banca pode afirmar que "os lixões foram completamente erradicados do Brasil", o que infelizmente não é verdade.
| Tema | Conteúdo chave | Pegadinha frequente |
|---|---|---|
| Aquecimento global | Origem humana (IPCC); 2024 foi o ano mais quente | Dizer que é fenômeno exclusivamente natural ou que não há consenso. |
| Desmatamento | Queda de ~50% entre 2022-2025; PRODES ≠ DETER | Afirmar que o desmatamento foi erradicado ou que aumentou. |
| Marco do Saneamento | Meta 2033: 99% água e 90% esgoto; permite concessões | Dizer que as metas já foram atingidas ou que o setor é exclusivamente público. |
| Lixões | PNRS (2010) prevê fim; ~3.000 ainda ativos | Afirmar que os lixões foram completamente erradicados. |
| SNUC | Proteção integral (não permite exploração) e uso sustentável | Dizer que todas as UCs permitem exploração econômica. |
| Queimadas | Maioria de origem antrópica; agravadas por secas | Atribuir queimadas exclusivamente a causas naturais. |
| Eventos extremos | Enchentes RS (2024); seca Amazônia (2023-2025) | Trocar os locais ou anos dos eventos. |
1. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), há consenso científico de que o aquecimento global observado desde a era industrial é causado precipuamente por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento.
CERTO
Comentário: Os relatórios do IPCC (AR6) são categóricos quanto à influência humana como motor principal do aquecimento atual. Não há controvérsia científica sobre o tema.
2. Após atingir picos históricos em 2021, o desmatamento na Amazônia Legal foi completamente erradicado, alcançando taxa zero de corte raso em 2025.
ERRADO
Comentário: Embora o desmatamento tenha caído significativamente (cerca de 50% entre 2022 e 2025), ele não foi erradicado. A taxa ainda está na casa dos 5.000 km² anuais.
3. O Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020) estabeleceu a meta de universalização dos serviços até 2033, prevendo que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto.
CERTO
Comentário: Essas são exatamente as metas fixadas pela lei atualizada em 2020. O Brasil, porém, ainda está distante do cumprimento, especialmente no tratamento de esgoto.
4. A Política Nacional de Resíduos Sólidos determinou o fim dos lixões, e atualmente não há mais lixões ativos no território brasileiro.
ERRADO
Comentário: A PNRS prevê o encerramento dos lixões desde 2014, mas os prazos foram sucessivamente adiados e ainda existem cerca de 3.000 lixões ativos no país.
5. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) classifica as unidades de conservação em duas categorias: proteção integral e uso sustentável, sendo que as de proteção integral não permitem exploração econômica direta dos recursos naturais.
CERTO
Comentário: A Lei 9.985/2000 (SNUC) divide as UCs nesses dois grupos. As de proteção integral admitem apenas uso indireto (pesquisa, ecoturismo), não exploração econômica de recursos.
6. As queimadas que atingiram o Pantanal e a Amazônia em 2024 foram exclusivamente causadas por fenômenos naturais, como raios durante tempestades secas.
ERRADO
Comentário: Embora raios possam causar incêndios, a esmagadora maioria das queimadas no Brasil tem origem antrópica (ação humana), seja por desmatamento, limpeza de pastos ou negligência.
7. Em 2024, enchentes históricas atingiram o estado do Rio Grande do Sul, causando mortes, desabrigados e danos econômicos, em um evento associado às mudanças climáticas e ao fenômeno El Niño.
CERTO
Comentário: As chuvas extremas no RS em maio de 2024 foram apontadas como um dos maiores desastres climáticos do estado, com influência do El Niño e do aquecimento global.
8. A crise humanitária Yanomami, deflagrada pelo avanço do garimpo ilegal, foi completamente solucionada pelas operações federais deflagradas a partir de 2023.
ERRADO
Comentário: As operações reduziram significativamente a atividade garimpeira, mas a crise humanitária Yanomami persiste, com desafios de saúde, segurança alimentar e presença de invasores. Não foi "completamente solucionada".