07. Relações Internacionais

Conflitos, acordos, comércio e cooperação.
Cenário global recente e principais armadilhas em provas do Cebraspe (Certo/Errado).

Guerra na Ucrânia (2022–2026)
  • Conflito Rússia-Ucrânia: iniciado em fevereiro de 2022, com invasão russa. A guerra já causou centenas de milhares de mortos e a maior crise de refugiados na Europa desde a 2ª Guerra Mundial.
  • Sanções e impactos: sanções ocidentais contra a Rússia afetaram energia, grãos e fertilizantes. Brasil manteve neutralidade e defendeu negociação diplomática.
  • Cessar-fogo (2025-2026): negociações lideradas por Trump em 2025 resultaram em cessar-fogo gradual; discussões sobre garantias de segurança e adesão da Ucrânia à Otan e à União Europeia.
Cebraspe: cuidado com afirmar que "o Brasil condenou formalmente a Rússia e aplicou sanções econômicas". O Brasil condenou a invasão em discursos na ONU, mas não aderiu às sanções unilaterais ocidentais.
BRICS ampliado e nova ordem
  • Expansão do BRICS: em 2023, na cúpula de Joanesburgo, o bloco convidou Arábia Saudita, Irã, Etiópia, Egito, Emirados Árabes e Argentina (esta recusou) a integrar o grupo a partir de 2024.
  • Presidência brasileira (2025): Brasil presidiu o BRICS com foco em reforma da governança global, comércio em moedas locais e combate às mudanças climáticas.
  • Cúpula de 2026: realizada em Brasília, discutiu a criação de uma moeda de referência para o comércio entre os membros e a ampliação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
A banca pode afirmar que "o BRICS criou uma moeda única em substituição ao dólar". Isso é falso: discute-se uma moeda de referência para transações, não uma moeda única como o euro.
Oriente Médio e tensões globais
  • Guerra Israel-Hamas: iniciada em outubro de 2023 com ataque do Hamas a Israel. Conflito provocou mais de 45 mil mortos e crise humanitária em Gaza. Cessar-fogo em 2025.
  • Questão palestina: Brasil defende solução de dois Estados. Reconheceu o Estado palestino em 2010, mas as tensões diplomáticas com Israel aumentaram durante o governo Lula 3.
  • Houthis e Mar Vermelho: ataques a navios comerciais afetaram cadeias globais de suprimentos, com impactos no preço do frete e nos seguros marítimos.
"O Brasil rompeu relações diplomáticas com Israel" → ERRADO. Houve crises e trocas de acusações, mas as relações diplomáticas não foram formalmente rompidas.

Principais eixos de Relações Internacionais — Análise Cebraspe

O que mais cai em itens sobre política externa e geopolítica (certo/errado)
1. Acordo Mercosul-União Europeia

Após 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi anunciado em dezembro de 2024, durante a cúpula do Mercosul em Montevidéu. O tratado prevê redução tarifária gradual, acesso a mercados e cláusulas ambientais. A banca pode afirmar que "o acordo já está em plena vigência", mas ele ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países-membros.

2. Relações Brasil-China e Brasil-EUA

A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, com comércio bilateral superior a US$ 150 bilhões. O Brasil busca equilibrar relações com China (econômica) e EUA (histórica). No governo Lula 3, houve reaproximação com a China (assinatura de acordos em tecnologia e infraestrutura). Com os EUA, a relação oscilou entre os governos Biden (cooperação climática) e Trump 2 (protecionismo e tarifas).

3. Reforma da ONU e Conselho de Segurança

O Brasil defende a reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir novos membros permanentes (G4: Brasil, Alemanha, Índia e Japão). Durante a presidência brasileira do Conselho de Segurança (2023), o país abordou a guerra na Ucrânia e a necessidade de ampliar a representatividade. A banca pode afirmar que "o Brasil é membro permanente do CS da ONU" — ERRADO, é membro rotativo (eleito).

4. Crise na Venezuela

A posse de Nicolás Maduro para um terceiro mandato (2025), após eleições contestadas pela oposição e por observadores internacionais, gerou tensões com o Brasil. Embora o governo Lula tenha inicialmente tentado mediar a crise, o Brasil não reconheceu formalmente o resultado eleitoral, o que deteriorou as relações bilaterais. A banca pode afirmar que o Brasil endossou a reeleição de Maduro sem ressalvas, o que não é exato.

5. Cooperação Sul-Sul e IBAS

O Brasil retomou a política de cooperação Sul-Sul, com ênfase no BRICS, na CPLP, no IBAS (Índia, Brasil, África do Sul) e na cooperação com países africanos e latino-americanos. O país também ingressou na Aliança Global contra a Fome (2024), proposta durante a presidência brasileira do G20. A banca pode confundir IBAS com BRICS ou afirmar que o IBAS foi extinto.

6. G20 e COP30 como vitrines da política externa

O Brasil presidiu o G20 em 2024, com foco em combate à fome e reforma das instituições financeiras internacionais. A COP30 (Belém, 2025) também foi plataforma para o protagonismo brasileiro na agenda climática. A banca pode afirmar que o G20 de 2024 foi no Brasil e a COP30 em 2025 em São Paulo — a COP foi em Belém.

Tabela resumo: temas quentes para o Cebraspe

TemaConteúdo chavePegadinha frequente
Guerra na UcrâniaBrasil condenou invasão, mas não aplicou sançõesAfirmar que o Brasil sancionou a Rússia.
BRICSAmpliação 2024; moeda de referência (não única)Dizer que o BRICS já tem moeda única como o euro.
Mercosul-UEAcordo anunciado em 2024; pendente de ratificaçãoAfirmar que já está em plena vigência.
Conselho de SegurançaBrasil é membro rotativo (eleito), não permanenteDizer que o Brasil é membro permanente do CS.
ChinaMaior parceiro comercial do Brasil desde 2009Afirmar que os EUA continuam sendo o maior parceiro.
Israel-HamasCrises diplomáticas, mas sem rompimento formalDizer que o Brasil rompeu relações com Israel.
VenezuelaBrasil não reconheceu formalmente reeleição de MaduroAfirmar que o Brasil endossou plenamente o resultado.

Questões estilo Cebraspe — Relações Internacionais

1. Diante da invasão russa à Ucrânia, o Brasil condenou formalmente a agressão em fóruns multilaterais e aderiu às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

ERRADO

Comentário: O Brasil condenou a invasão em discursos na ONU e em outros fóruns, mas manteve posição de neutralidade quanto às sanções, não aderindo às medidas unilaterais ocidentais.

2. Em 2024, o bloco BRICS passou por uma ampliação histórica, com a inclusão de novos membros como Arábia Saudita, Irã, Etiópia, Egito e Emirados Árabes Unidos, enquanto a Argentina recusou o convite.

CERTO

Comentário: A expansão foi decidida na cúpula de Joanesburgo (2023), com ingresso efetivo em 2024. A Argentina, convidada, declinou após a eleição de Javier Milei.

3. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, concluído em 2024, já entrou em vigor e está sendo plenamente implementado pelos países signatários.

ERRADO

Comentário: O acordo foi anunciado em dezembro de 2024, após 25 anos de negociação, mas ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países-membros de ambos os blocos.

4. O Brasil é membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), com direito a veto, ao lado de países como Estados Unidos e China.

ERRADO

Comentário: O Brasil é membro rotativo (eleito) do Conselho de Segurança, não permanente. Os membros permanentes com poder de veto são EUA, Rússia, China, França e Reino Unido.

5. A China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio superior a 150 bilhões de dólares, superando os Estados Unidos nessa posição.

CERTO

Comentário: A China ultrapassou os EUA em 2009 e mantém a posição de maior parceiro comercial do Brasil, com exportações de commodities (soja, minério de ferro) e importações de manufaturados.

6. Após a ofensiva militar israelense em Gaza, o Brasil rompeu formalmente as relações diplomáticas com o Estado de Israel.

ERRADO

Comentário: Houve crises diplomáticas, trocas de acusações e até a retirada temporária de embaixadores, mas as relações diplomáticas não foram formalmente rompidas pelo Brasil.

7. Durante a presidência brasileira do G20 em 2024, foi proposta e aprovada a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma das principais iniciativas da política externa do país.

CERTO

Comentário: A Aliança Global contra a Fome foi uma das prioridades da presidência brasileira do G20 em 2024, com adesão de diversos países e organismos internacionais.

8. O Brasil reconheceu formalmente a vitória de Nicolás Maduro nas eleições venezuelanas de 2025, endossando o resultado sem questionamentos.

ERRADO

Comentário: O governo brasileiro não reconheceu formalmente o resultado eleitoral, questionando a lisura do processo e a falta de transparência na divulgação das atas. A posição deteriorou as relações bilaterais.

Dicas de ouro para Relações Internacionais no Cebraspe

#1
Brasil condena, mas não sanciona. A tradição diplomática brasileira privilegia o diálogo e a não adesão a sanções unilaterais. Cuidado com itens que forçam alinhamento automático.
#2
BRICS tem moeda de referência em discussão, não moeda única. A diferença é sutil e a banca adora trocar uma pela outra.
#3
Acordos internacionais "anunciados" ou "concluídos" não significam "em vigor". Mercosul-UE precisa de ratificação. Mercosul-UE é de 2024, não de 2023 ou 2025.
#4
Brasil no CS da ONU: rotativo, não permanente. "Permanente" = ERRADO. "Com direito a veto" = ERRADO. O G4 (Brasil, Alemanha, Índia, Japão) defende a reforma.
#5
China é o maior parceiro comercial desde 2009. EUA são parceiros históricos, mas não os maiores em comércio. Itens que invertem isso são ERRADOS.
#6
Crises diplomáticas ≠ rompimento formal. Brasil teve crises com Israel e Venezuela, mas não rompeu relações. "Rompeu" quase sempre é ERRADO.
Estratégia de prova Itens de política externa costumam conter afirmações categóricas: "rompeu", "aderiu", "sancionou", "endossou plenamente". Quando a posição brasileira é de mediação ou neutralidade, essas afirmações absolutas tendem a ser ERRADAS. Fique atento também a datas e locais de eventos internacionais.

Resumo estratégico para o Cebraspe – Relações Internacionais

Pontos essenciais para julgar itens sobre o tema
Mapa mental da prova Identifique o eixo do item: posicionamento brasileiro (geralmente mediador, sem sanções), acordos (concluído ≠ ratificado ≠ em vigor), participação em organismos (rotativo x permanente), e parceiros comerciais (China > EUA desde 2009). Sempre desconfie de afirmações binárias (rompeu, sancionou, aderiu) quando o Brasil adota postura de equilíbrio.