Falácias
Identificar erros de argumentação e conclusões inválidas —
reconhecimento de raciocínios que parecem lógicos, mas contêm falhas que invalidam a conclusão.
São erros na estrutura lógica do argumento. A conclusão não decorre necessariamente das premissas, mesmo que estas sejam verdadeiras.
- Negação do antecedente: Se P → Q. Não P. Logo, não Q. (Inválido).
- Afirmação do consequente: Se P → Q. Q é verdade. Logo, P. (Inválido).
- Silogismo disjuntivo falacioso: P ou Q. P é verdade. Logo, não Q. (Inválido se "ou" for inclusivo).
- Ilícita conversão: Todo A é B. Logo, todo B é A. (Inválido).
Ex.: "Se chove, o chão molha. O chão está molhado. Logo, choveu." (Pode ter molhado por mangueira.) Afirmação do consequente.
Erros que não estão na estrutura lógica, mas no conteúdo, na relevância ou na forma como as premissas são apresentadas.
- Ad hominem: ataca a pessoa, não o argumento.
- Apelo à autoridade: usa uma autoridade fora de seu campo de especialidade.
- Falsa causa: correlação tratada como causalidade.
- Generalização apressada: conclusão geral a partir de amostra insuficiente.
- Bola de neve: cadeia de eventos improváveis levando a um extremo.
Dica: na Cebraspe, o foco maior está nas falácias formais, que se relacionam diretamente com a lógica proposicional.
São raciocínios falsos que se apresentam como verdadeiros. A diferença está na intenção de quem os formula.
- Sofisma: argumento falso formulado intencionalmente para enganar.
- Paralogismo: argumento falso formulado involuntariamente, por desconhecimento das regras lógicas.
- Petição de princípio: a conclusão já está contida nas premissas de forma circular ("É verdade porque é verdade").
- Falso dilema: reduz as opções a apenas duas, quando existem outras possibilidades.
Em provas, a banca pode pedir para identificar se um argumento é válido ou se contém uma falácia específica.
Fundamentos das falácias e identificação de argumentos inválidos
Validade · Estrutura lógica · Erros comuns · Relevância · Suficiência
1. Diferença entre argumento inválido e falácia
Um argumento é um conjunto de premissas que supostamente sustentam uma conclusão. A validade diz respeito à forma:
se as premissas forem verdadeiras, a conclusão necessariamente será verdadeira? Se a resposta for não, o argumento
é inválido. A falácia é justamente um argumento inválido que tem aparência de validade.
Importante: um argumento pode ter premissas verdadeiras e conclusão verdadeira e ainda assim ser inválido,
se a conclusão não decorrer logicamente das premissas. Exemplo: "O céu é azul. Logo, 2 + 2 = 4."
Ambas são verdades, mas a conclusão não tem relação lógica com a premissa — é um argumento inválido (non sequitur).
Exemplo prático
Argumento: "Todos os cães são mamíferos. Meu gato é mamífero. Logo, meu gato é um cão." Premissas verdadeiras, conclusão falsa. A estrutura é inválida: de "Todo A é B" e "C é B" não se conclui que "C é A".
2. Falácias formais mais cobradas
As falácias formais decorrem da violação das regras da lógica proposicional e da lógica de predicados.
O Cebraspe costuma apresentar argumentos condicionais e silogismos para que o candidato avalie se a conclusão
é decorrência lógica das premissas.
- Negação do antecedente: Se estudo, passo. Não estudei. Logo, não passo. (Inválido: posso passar sem estudar.)
- Afirmação do consequente: Se estudo, passo. Passei. Logo, estudei. (Inválido: posso ter passado por sorte.)
- Conversão ilícita: Todo A é B → Todo B é A. (Inválido: "Todo médico é profissional de saúde" não implica "Todo profissional de saúde é médico".)
- Silogismo com termo médio não distribuído: "Alguns A são B. Alguns B são C. Logo, alguns A são C." (Inválido: pode não haver interseção entre A e C.)
Atenção
Na lógica condicional, apenas duas formas são válidas: Modus Ponens (Se P → Q, P, logo Q) e Modus Tollens (Se P → Q, não Q, logo não P). Todo o resto envolvendo condicionais é inválido.
3. Falácias informais no dia a dia e na prova
As falácias informais são mais sutis e muitas vezes dependem do contexto e da linguagem. A banca pode apresentar
um trecho de discurso ou um diálogo e pedir para identificar a falácia cometida. As mais frequentes em provas são:
Ad hominem: "Você não pode falar sobre educação porque nunca foi professor." (Ataca a pessoa, não o mérito do argumento.)
Falso dilema: "Ou você está conosco, ou está contra nós." (Desconsidera neutralidade ou outras posições.)
Generalização apressada: "Conheci dois idosos que dirigem mal; logo, idosos dirigem mal." (Amostra insuficiente.)
Petição de princípio: "A Bíblia é a palavra de Deus porque está escrito na Bíblia que ela é a palavra de Deus." (Raciocínio circular.)
Falsa causa: "O galo canta antes do nascer do sol; logo, o canto do galo faz o sol nascer." (Confunde correlação com causalidade.)
Dica de prova
Ao ler um argumento, pergunte: "As premissas garantem a conclusão?" Se houver um salto lógico, provavelmente há uma falácia.
4. Como detectar falácias em questões Cebraspe
A banca costuma pedir que o candidato julgue itens como "A conclusão é uma decorrência lógica das premissas" ou
"O argumento apresentado é válido". Para acertar, é preciso aplicar sistematicamente as regras de inferência válida.
Se houver uma condicional, verifique se a estrutura é Modus Ponens ou Modus Tollens. Se for um silogismo categórico,
verifique a distribuição do termo médio e a qualidade das proposições.
Outra estratégia recorrente é propor um argumento e perguntar se ele contém determinada falácia. Nesse caso,
é necessário conhecer o nome e a definição de cada falácia para fazer a correspondência correta.
Macete
Se um item disser que "a conclusão decorre necessariamente das premissas", tente imaginar um cenário em que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão, falsa. Se conseguir, o argumento é inválido.
Tabela de síntese – principais falácias formais e informais
| Falácia |
Tipo |
Estrutura / Descrição |
| Negação do antecedente |
Formal |
Se P → Q. ~P. Logo ~Q. (Inválido) |
| Afirmação do consequente |
Formal |
Se P → Q. Q. Logo P. (Inválido) |
| Conversão ilícita |
Formal |
Todo A é B. Logo, todo B é A. (Inválido) |
| Termo médio não distribuído |
Formal |
Alguns A são B. Alguns B são C. Logo, alguns A são C. (Inválido) |
| Ad hominem |
Informal |
Atacar a pessoa que apresenta o argumento, não o argumento em si. |
| Falso dilema |
Informal |
Apresentar apenas duas opções quando existem outras possibilidades. |
| Generalização apressada |
Informal |
Conclusão geral baseada em amostra pequena ou não representativa. |
| Petição de princípio |
Informal |
A conclusão é pressuposta nas premissas (raciocínio circular). |
| Falsa causa |
Informal |
Assumir que, porque dois eventos ocorrem juntos, um causa o outro. |
Exercícios comentados
1. "Se eu for ao cinema, vou comer pipoca. Não fui ao cinema. Portanto, não comi pipoca." Esse argumento é válido?
Resolução
Estrutura: Se P → Q. ~P. Conclusão: ~Q. Trata-se da falácia de negação do antecedente. A conclusão não é necessária: posso não ter ido ao cinema e ainda assim ter comido pipoca em casa. Inválido.
2. "Todo político é corrupto. João é corrupto. Logo, João é político." Qual é a falácia cometida?
Resolução
Estrutura: Todo A é B. C é B. Logo C é A. É a falácia formal de conversão ilícita ou silogismo inválido. João pode ser corrupto sem ser político. Inválido.
3. "Você não pode opinar sobre o sistema penitenciário porque nunca foi preso." Identifique a falácia.
Resolução
Trata-se de um argumentum ad hominem (ataque à pessoa). Desqualifica o argumentador em vez de discutir o mérito da opinião sobre o sistema penitenciário.
4. (Adaptado Cebraspe) Considere o argumento: "Se o réu fosse culpado, ele teria fugido. Ele fugiu. Logo, ele é culpado." O argumento é válido e não contém falácia. Certo ou errado?
Resolução
Estrutura: Se P → Q. Q. Logo P. É a falácia da afirmação do consequente. Ele pode ter fugido por outros motivos (medo, coincidência, etc.). A conclusão não decorre necessariamente das premissas. Errado.
Aplicações no cotidiano e na prova
Discursos frequentemente empregam falácias como ad hominem, falso dilema e apelo à emoção para persuadir. A análise lógica desmonta argumentos falaciosos.
Apelo à autoridade (celebridades vendendo produtos fora de sua área), falsa causa e generalizações são comuns em anúncios.
A fundamentação de sentenças deve evitar falácias. A identificação de argumentos inválidos é essencial para recursos e contestações.
Atividade de estudo
Encontre um editorial de jornal e identifique se há falácias. Marque os trechos e classifique: ad hominem, falso dilema, falsa causa, generalização apressada ou petição de princípio.
Resumo estratégico
Pontos mais cobrados sobre falácias
- Argumento válido: se as premissas forem verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira.
- Modus Ponens (válido): Se P → Q, P. Logo, Q.
- Modus Tollens (válido): Se P → Q, ~Q. Logo, ~P.
- Negação do antecedente (inválido): Se P → Q, ~P. Logo, ~Q.
- Afirmação do consequente (inválido): Se P → Q, Q. Logo, P.
- Falácias informais: reconheça ad hominem, falso dilema, falsa causa, generalização apressada e petição de princípio.
- Teste do contraexemplo: imagine premissas verdadeiras e conclusão falsa. Se for possível, o argumento é inválido.
Mapa mental
Identificar o tipo de argumento (condicional, categórico, indutivo) → verificar a estrutura lógica → testar validade com Modus Ponens / Tollens → se não for um formato válido, testar contraexemplos → classificar a falácia (formal ou informal) → julgar o item.