14. Malware, vírus, worms e pragas virtuais

Diferenciar ameaças: vírus, worms, trojans, ransomware, spyware, adware, rootkits, botnets, keyloggers, etc.
Modos de propagação, ações maliciosas e impactos em sistemas e dados – Nível CEBRASPE.

VÍRUS × WORM

Vírus: necessita de um hospedeiro (arquivo executável, script, macro) e se espalha por ação do usuário (abrir anexo, executar programa). Infecta outros arquivos.

Worm: não precisa de hospedeiro; se replica automaticamente pela rede (e-mail, vulnerabilidades, compartilhamento), consumindo banda e recursos.

Ex.: Vírus de macro em documentos Office; Worm Conficker (2008) explorou vulnerabilidade do Windows.
TROJAN E RANSOMWARE

Trojan (cavalo de Troia): disfarça-se de software legítimo, mas executa ações maliciosas (roubo de dados, backdoor). Não se replica.

Ransomware: criptografa arquivos e exige resgate (ransom) para descriptografar. Ex.: WannaCry, Locky.

Ransomware pode ser do tipo "locker" (bloqueia acesso ao sistema) ou "crypto" (criptografa arquivos).
SPYWARE E ADWARE

Spyware: monitora atividades do usuário (hábitos de navegação, teclas digitadas, captura de tela) e envia a terceiros sem consentimento.

Adware: exibe publicidade indesejada (pop-ups, banners). Muitos adwares são legítimos mas incômodos; alguns coletam dados.

Keylogger é um tipo de spyware especializado em capturar digitações (senhas, mensagens).
ROOTKIT E BOTNET

Rootkit: conjunto de ferramentas que esconde a presença de malware no sistema (hooks no kernel, modificações em APIs). Dificulta detecção.

Botnet: rede de computadores zumbis infectados (bots) controlados remotamente (C&C) para ataques DDoS, spam, mineração.

Botnets podem usar canais de IRC, HTTP, P2P para receber comandos.
BACKDOOR E KEYLOGGER
Backdoor: porta dos fundos que permite acesso remoto não autorizado ao sistema. Pode ser instalado por trojan ou deixada por atacante.
Keylogger: registra cada tecla pressionada. Pode ser software ou hardware (dispositivo físico conectado ao teclado).
CRIPTOJACKING
Mineração de criptomoedas sem consentimento, consumindo CPU/GPU do usuário. Pode ser executada via script em páginas web ou malware.
ROGUEWARE / FAKE AV
Software falso que se passa por antivírus, alegando infecções inexistentes e coagindo o usuário a pagar por versão "completa".
BOOTKIT / FIRMWARE MALWARE
Infecta setor de boot (MBR ou UEFI) ou firmware próprio, persistindo mesmo após reinstalação do sistema operacional.

Classificação e propagação – malware em detalhes

Diferenças fundamentais, vetores e efeitos
1. Vírus × Worm – a diferença clássica
  • Vírus: requer ação humana para se espalhar (executar um arquivo infectado, abrir anexo). Infecta arquivos executáveis, scripts, macros. Pode ter payload destrutivo ou apenas replicação.
  • Worm: auto-replicante, não precisa de hospedeiro nem ação humana. Explora vulnerabilidades de rede, e-mail (envia cópias automaticamente), unidades removíveis. Consome banda e pode travar redes.
  • Exemplo de worm famoso: Morris (1988), ILOVEYOU (2000), Blaster (2003).
2. Trojan – a diferença crucial

Trojan não é vírus, pois não se replica. O usuário é enganado para executá-lo (falso instalador, atualização, "ferramenta de crack"). Uma vez ativo, pode abrir backdoor, instalar outros malwares, roubar dados. Exemplos clássicos: Emotet (originalmente trojan bancário), Zeus.

3. Ransomware – duas variantes principais
  • Locker ransomware: bloqueia acesso ao sistema (tela de bloqueio), mas não criptografa arquivos. Exige resgate para desbloqueio (menos comum hoje).
  • Crypto ransomware: criptografa arquivos do usuário (documentos, fotos, bancos de dados). Exige pagamento em criptomoeda pela chave de descriptografia.
  • Prevenção: backup offline, atualizações, filtro de e-mails, restrição de execução de macros.
4. Spyware e Adware – diferenças e sobreposições
  • Spyware foca em espionagem: coleta dados de navegação, credenciais, histórico, hábitos. Geralmente instalado sem consentimento ou acoplado a freeware.
  • Adware exibe anúncios. Muitos adwares legítimos são aceitos em troca de software gratuito; os mal-intencionados redirecionam buscas, instalam extensões indesejadas.
  • Keylogger: subtipo de spyware que registra todas as teclas pressionadas – grave risco para senhas.
5. Rootkit – técnica de ocultação

Rootkit pode modificar o kernel do sistema operacional ou usar técnicas de hooking para esconder processos, arquivos, registros, conexões de rede. Detectá-lo é difícil; requer análise forense, scanners específicos (como GMER) ou varreduras offline. Rootkits em UEFI são particularmente perigosos.

6. Botnet e seu funcionamento

Botnet é uma rede de dispositivos infectados (bots) controlados por um atacante (botmaster). Usada para: ataques DDoS, envio de spam, mineração de criptomoedas, distribuição de malware, roubo de dados. Protocolos de comando: IRC, HTTP, P2P. Exemplo: Mirai (botnet de IoT).

Tabela comparativa de malwares (recorrente em provas)

TipoPropagaçãoPersistênciaPrincipal efeitoExemplo
VírusAção do usuário (executar arquivo)Infecta outros arquivosCorrupção de arquivos, degradaçãoCerebro, Melissa
WormAutônoma via redeAuto-replicaçãoConsumo de banda, sobrecarga, propagaçãoConficker, Stuxnet (worm + outras capacidades)
TrojanEngenharia socialNão se replica; instala backdoorControle remoto, roubo de dadosZeus, Emotet
RansomwareAnexos, exploits, downloads drive-byCriptografia ou bloqueioPerda de acesso a dados; resgateWannaCry, Locky
SpywareInstalado oculto em freewareMonitora continuamenteColeta de informações pessoaisCoolWebSearch, FinFisher
AdwarePacotes de software gratuitoExibe anúnciosIncômodo, redirecionamentoHuntBar, Fireball
RootkitApós invasãoOculta presençaDificulta remoção; backdoorSony BMG rootkit, Alureon
KeyloggerSpyware ou hardwareRegistro de teclasCaptura senhas, mensagensArdamax, HawkEye

Questões comentadas – Malware (Cebraspe)

1. (CESPE/CEBRASPE – adaptada) Ao contrário do vírus, o worm não necessita de um arquivo hospedeiro para se propagar, podendo se espalhar automaticamente pela rede.

Gabarito: CERTO. É a principal diferença entre os dois.

2. (CESPE – adaptada) Um cavalo de Troia (trojan) se replica automaticamente para outros computadores da rede, assim como um worm, mas com a diferença de que precisa de interação do usuário para iniciar.

Gabarito: ERRADO. O trojan não se replica; o usuário o executa voluntariamente. A replicação não é característica do trojan.

3. (CESPE/CEBRASPE – adaptada) Ransomware pode criptografar arquivos pessoais e do sistema, exigindo pagamento de resgate; a melhor forma de proteção contra esse tipo de ameaça é manter backups regulares offline.

Gabarito: CERTO. Backups isolados (desconectados do computador) permitem restaurar arquivos sem pagar resgate.

4. (CESPE – adaptada) Rootkit é um tipo de malware que tem como única função exibir propagandas indesejadas durante a navegação.

Gabarito: ERRADO. A descrição é de adware. Rootkit foca em ocultar atividades maliciosas e garantir persistência.

5. (CESPE/CEBRASPE – adaptada) Keyloggers podem ser implementados tanto por software quanto por dispositivos físicos (hardware) conectados entre o teclado e o computador.

Gabarito: CERTO. Keyloggers de hardware são menos comuns, mas existem, usados em ataques direcionados.

6. Um botnet é uma rede de computadores controlada remotamente por um atacante, geralmente usada para enviar spam ou realizar ataques DDoS.

Gabarito: CERTO. Definição clássica.

Vetores de infecção comuns e como se proteger

Principais vetores
  • E-mail: anexos infectados, links de phishing.
  • Downloads: softwares de fontes não oficiais, cracks, keygens.
  • Dispositivos removíveis: pendrives, HDs externos (exploram autorun ou arquivos infectados).
  • Exploits de navegador: drive-by download em sites comprometidos.
  • Engenharia social: indução a executar arquivos maliciosos.
Medidas de proteção
  • Antivírus/antimalware atualizado (assinaturas e heurística).
  • Firewall pessoal e de rede.
  • Atualizações de sistema e softwares (patches de segurança).
  • Política de execução restrita (não executar macros de fontes desconhecidas).
  • Backup frequente e offline.
  • Conscientização de usuários (treinamentos).

Sinais de infecção por malware e ação inicial

Sintomas e resposta a incidentes
Ação imediata: desconectar o computador da rede, executar antivírus em modo de segurança, restaurar backup. Para ransomware, evitar pagar resgate: não garante recuperação e financia criminosos.