Adequar linguagem, formalidade e estrutura ao gênero solicitado (notícia, artigo de opinião, ofício, e‑mail, ata, carta, edital, etc.).
Identificação do público‑alvo, propósito comunicativo e registro linguístico – análise de itens no estilo CEBRASPE (Certo / Errado).
A notícia segue a pirâmide invertida: informações mais importantes primeiro (lead: o quê, quem, quando, onde, como, por quê). A reescrita não pode acrescentar opinião do reescritor nem usar linguagem subjetiva (“infelizmente”, “lamentavelmente”).
✅ “O presidente sancionou a lei ontem.” → reescrita adequada para notícia: mesma objetividade, ordem direta.
❌ “O presidente, com muita sabedoria, sancionou a lei.” – julgamento de valor, inadequado.
O artigo de opinião exige tese explícita, argumentos e conclusão. A reescrita pode usar 1ª pessoa (“creio que”, “defendo”), mas não pode transformar o texto em notícia (retirando a opinião) nem adotar linguagem excessivamente informal (gírias). O equilíbrio é formal, mas com marcas de subjetividade.
✅ Original opinativo → reescrita que mantém a tese e a linha argumentativa (mesmo mudando palavras) é adequada.
❌ Reescrita que elimina os argumentos e resume apenas o fato – vira resumo, não artigo.
Textos oficiais seguem normas específicas (Manual de Redação da Presidência da República, por exemplo): vocativo “Senhor Diretor”, fecho “Respeitosamente” (para autoridades) ou “Atenciosamente” (para mesma hierarquia). Linguagem impessoal, clara, sem gírias, sem abreviações inadequadas.
✅ “Solicito a Vossa Senhoria que se digne a analisar o processo.” – formal.
❌ “Manda ver esse processo aí, chefe.” – inadequado para ofício.
A reescrita deve considerar o destinatário. Para um e‑mail a um professor: “Prezado Professor, encaminho em anexo o trabalho. Atenciosamente.”
Para um amigo: “Oi, segue o trampo. Abraço.”
O item pode descrever o contexto (destinatário, relação, finalidade) e perguntar se a reescrita está adequada. Trocar um pelo outro é erro.
❌ “Oi, segue o documento conforme solicitado por Vossa Senhoria” – mistura registro, inadequado.
A crônica permite marcas de oralidade, frases curtas, ironia, mas sem erros grosseiros de gramática. A reescrita para crônica pode incluir elementos como “pois é”, “bem”, “acontece que”, mas sem perder a correção. Se a reescrita transformar a crônica em notícia ou em texto extremamente formal, está inadequada.
| Gênero | Linguagem predominante | Pessoa/tratamento | Estrutura típica |
|---|---|---|---|
| Notícia | Objetiva, impessoal | 3ª pessoa | Lead + informações complementares |
| Artigo de opinião | Argumentativa, subjetiva moderada | 1ª ou 3ª pessoa | Tese, argumentos, conclusão |
| Ofício/requerimento | Formal, técnica | 3ª pessoa (ou 1ª em requerimento) | Vocativo, corpo, fecho, assinatura |
| E‑mail formal | Formal, cortês | 3ª ou 1ª (atenção a V.Sa.) | Saudação, assunto, despedida |
| E‑mail informal | Coloquial, próximo | 2ª/1ª pessoa (você/eu) | Saudação simples, linguagem natural |
| Ata | Impessoal, narrativa | 3ª pessoa, pretérito | Abertura, ordem do dia, encerramento |
| Edital | Normativa, imparcial | 3ª pessoa, presente/futuro | Itens numerados, linguagem deôntica |
1. Uma notícia sobre o resultado de um concurso foi reescrita da seguinte forma: “Com grande alegria, informamos que os candidatos aprovados foram divulgados. Parabéns a todos!” Essa reescrita é inadequada para o gênero notícia, pois insere elementos de opinião e subjetividade.
CERTO
Comentário: Notícia deve ser objetiva, sem juízo de valor (“grande alegria”, “parabéns”). A reescrita é inadequada.
2. Um trecho de ofício original: “Solicito a Vossa Senhoria o envio dos relatórios.” A reescrita para “Peço que o senhor mande os relatórios” mantém o sentido, mas é inadequada ao gênero devido à quebra da formalidade.
CERTO
Comentário: A reescrita substitui “Vossa Senhoria” por “o senhor”, “solicito” por “peço”, e “envio” por “mande”. Redução de formalidade. Inadequado para ofício.
3. Um e‑mail para um professor foi reescrito como: “E aí, professor, beleza? Manda os exercícios pra gente resolver.” Essa reescrita é adequada para a relação aluno‑professor em contexto acadêmico formal.
ERRADO
Comentário: A linguagem é extremamente informal (“E aí”, “beleza”, “manda”, “pra gente”) e inadequada para uma comunicação formal com professor. Seria aceita apenas relação de amizade muito próxima, não o padrão acadêmico.
4. A seguinte reescrita é proposta para uma crônica: “O indivíduo adentrou o estabelecimento comercial e solicitou um produto. O vendedor, com urbanidade, atendeu-lhe.” A linguagem extremamente formal descaracteriza o gênero crônica, que usualmente adota tom coloquial.
CERTO
Comentário: Crônica valoriza a linguagem cotidiana, próxima da oralidade. O uso de “adentrou”, “urbanidade”, “atendeu-lhe” é rebuscado demais. A reescrita é inadequada.
5. Um artigo de opinião original defendia a redução da maioridade penal. A reescrita retirou todos os argumentos e manteve apenas os fatos objetivos, sem posicionamento. Essa reescrita é adequada para o gênero artigo de opinião.
ERRADO
Comentário: Sem argumentação e tese, o texto deixa de ser artigo de opinião. A reescrita transformou o gênero em notícia ou relato, sendo inadequada.
6. A reescrita de uma ata de reunião, que originalmente usava o pretérito perfeito (“O coordenador apresentou o projeto”), para o presente (“O coordenador apresenta o projeto”) – essa mudança de tempo verbal descaracteriza o gênero ata.
CERTO
Comentário: A ata registra fatos já ocorridos, portanto o pretérito é o tempo adequado. Usar presente altera o gênero.
7. Um edital foi reescrito com linguagem coloquial e abreviações (“vc”, “pq”, “q”). Essa reescrita é aceitável para um edital de concurso público, pois o conteúdo permanece o mesmo.
ERRADO
Comentário: Edital exige linguagem formal, clareza e impessoalidade. Abreviações e coloquialismo tornam o texto inadequado ao gênero, podendo gerar ambiguidade e desrespeito à norma.
8. Um requerimento dirigido ao reitor de uma universidade foi reescrito como: “Gostaria de pedir que me dessem um prazo maior.” A ausência de vocativo (“Vossa Magnificência”), da formalidade típica (“requer”, “solicito”) e o uso de “pedir que me dessem” tornam o texto inadequado ao gênero.
CERTO
Comentário: Requerimento a autoridade exige formalidade, vocativo e estrutura padronizada. A reescrita é muito coloquial.