Treinar reescrita mantendo sentido original, correção gramatical e coesão textual.
Transformações de voz, nominalização, substituição de conectivos, paralelismo, e análise de itens no estilo CEBRASPE (Certo / Errado).
A voz passiva analítica (ser + particípio) deve preservar o sentido temporal e a relação entre os argumentos.
✅ “Os fiscais aplicaram a prova” → “A prova foi aplicada pelos fiscais”.
❌ “A prova foi aplicada” (agente omitido) – ainda é equivalente? Sim, desde que a omissão não prejudique o sentido original. O CEBRASPE considera equivalente apenas se a omissão for permitida.
Cuidado: “Havia muitos candidatos” (impessoal) não admite passiva: “Muitos candidatos eram havidos” – ERRO.
Conjunções coordenativas e subordinativas têm valores semânticos específicos. Substituir uma por outra de mesmo valor é correto; trocar por valor diferente é erro.
Ex.: “Estudou, mas não passou” (adversativa) → “Estudou, contudo não passou” (correto).
Ex.: “Estudou, portanto passou” (conclusiva) → “Estudou, logo passou” (correto).
Pegadinha: “Estudou, porque não passou” (causa?) – errado, inverte sentido.
No discurso indireto, há mudança de pessoa, tempo verbal, pronomes e advérbios.
✅ Direto: “Ele disse: ‘Voltarei amanhã’.” → Indireto: “Ele disse que voltaria no dia seguinte”.
❌ Manter o tempo futuro ou o advérbio “amanhã” no indireto constitui erro.
CEBRASPE adora cobrar essa adequação.
Transformar verbo em substantivo pode tornar o texto mais formal, mas pode também suprimir relações temporais ou modais.
“A empresa investiu muito” → “O grande investimento da empresa” (perde-se o tempo verbal).
Se a reescrita elimina informação temporal importante, pode ser considerada não equivalente.
O pronome “que” pode gerar ambiguidade. A reescrita deve resolver ou manter a ambiguidade original? A norma é manter o sentido. Se a original é ambígua, a reescrita também pode ser; mas se a original é clara e a reescrita cria ambiguidade, está errada.
Ex.: “O livro do autor que foi premiado” (quem foi premiado?) – já ambíguo. Qualquer reescrita que escolha um dos sentidos sem contexto altera o sentido original. Portanto, seria errada.
| Original | Reescrita válida | Observação |
|---|---|---|
| João comprou o carro. | O carro foi comprado por João. | Voz passiva analítica – equivalente. |
| Ele não só estuda mas também trabalha. | Ele estuda e também trabalha. | Manutenção da adição. |
| Quando ele chegou, todos saíram. | Chegando ele, todos saíram. | Redução de temporal – equivalente. |
| É proibido fumar. | Fumar é proibido. | Inversão com verbo de ligação – equivalente. |
| O funcionário respondeu ao cliente. | O cliente foi respondido pelo funcionário. | Passiva de TI – o correto é “foi respondido” (aceito na norma). |
1. A reescrita da frase “O candidato respondeu todas as perguntas” para “Todas as perguntas foram respondidas pelo candidato” mantém o sentido original e a correção gramatical.
CERTO
Comentário: A transformação para voz passiva está correta e preserva o sentido. O verbo “responder” aqui é transitivo direto (respondeu as perguntas), sem preposição. A passiva está adequada.
2. A reescrita de “Ele disse: ‘Estudarei muito’” para “Ele disse que estudará muito” está correta e mantém a equivalência de sentido.
ERRADO
Comentário: No discurso indireto, o futuro do presente “estudarei” deve ser alterado para futuro do pretérito “estudaria” (ou, em algumas gramáticas, para o pretérito imperfeito “estudava” dependendo do contexto). A frase “disse que estudará” mantém o tempo futuro, o que não é padrão no indireto após o verbo no passado. O correto seria “disse que estudaria”.
3. “O presidente sancionou a lei, mas o Congresso a vetou” → reescrita: “O presidente sancionou a lei, e o Congresso a vetou”. A reescrita mantém o sentido original.
ERRADO
Comentário: A conjunção “mas” indica oposição/adversidade; “e” indica adição. A troca altera o sentido, tornando a reescrita não equivalente.
4. “Embora chovesse, fomos à praia” → reescrita: “Chovia, mas fomos à praia”. As duas frases são semanticamente equivalentes.
CERTO
Comentário: “Embora” (concessão) e “mas” (adversidade) podem expressar situações semelhantes de quebra de expectativa. Nesse caso, o sentido de contraste se mantém. A reescrita está correta.
5. A frase “Havia muitos problemas na empresa” foi reescrita como “Muitos problemas eram havidos na empresa”. Essa reescrita está gramaticalmente correta e mantém o sentido.
ERRADO
Comentário: O verbo “haver” no sentido de existir é impessoal, não admite voz passiva. A reescrita está incorreta e altera a estrutura gramatical de forma inaceitável.
6. “Ao final da reunião, o diretor saiu apressado” → reescrita: “Quando finalizou a reunião, o diretor saiu apressado”. A reescrita mantém a correção e o sentido.
CERTO
Comentário: A oração reduzida de infinitivo “ao final” foi transformada em oração temporal desenvolvida “quando finalizou”, preservando a ideia de tempo e a correção. Equivalente.
7. “A empresa precisa de funcionários qualificados” → reescrita: “Funcionários qualificados são precisados pela empresa”. Essa passiva está adequada.
ERRADO
Comentário: “Precisar” é transitivo indireto (precisar de). Verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva analítica com o objeto indireto como sujeito. A forma “são precisados” não é aceita. O correto seria apenas a voz ativa.
8. Original: “Os alunos entregaram os trabalhos, e os professores os corrigiram.” Reescrita: “Os trabalhos foram entregues pelos alunos, e os professores os corrigiram.” – A reescrita preserva o sentido, mas a correção gramatical não foi mantida.
ERRADO
Comentário: A reescrita está gramaticalmente correta (primeira oração na passiva, segunda na ativa). O sentido é equivalente. Não houve erro. Portanto, a afirmação de que “a correção gramatical não foi mantida” é falsa. Item errado.