16. Reescrita de frases e parágrafos

Treinar reescrita mantendo sentido original, correção gramatical e coesão textual.
Transformações de voz, nominalização, substituição de conectivos, paralelismo, e análise de itens no estilo CEBRASPE (Certo / Errado).

Princípios da reescrita
  • Manutenção do sentido original: não se pode introduzir ideias novas, eliminar informações essenciais nem inverter relações lógicas (causa/efeito, condição, oposição).
  • Correção gramatical: concordância, regência, pontuação, colocação pronominal devem estar adequadas.
  • Coesão e coerência: uso adequado de conectivos, referência pronominal clara, progressão temática lógica.
  • Paralelismo sintático: elementos com mesma função devem ter a mesma estrutura (ex.: “estudar, trabalhar e viajar” – não “estudar, trabalho e viajar”).
CEBRASPE: em itens de reescrita, a alteração do sentido original torna o item ERRADO, mesmo que gramaticalmente correta.
Transformações comuns
  • Voz ativa ↔ voz passiva: “A banca corrigiu as provas” ↔ “As provas foram corrigidas pela banca”.
  • Discurso direto ↔ indireto: “Ele disse: ‘Vou chegar’” ↔ “Ele disse que iria chegar”.
  • Oração desenvolvida ↔ reduzida: “Quando chegou, avisou” ↔ “Chegando, avisou”.
  • Substituição de conectivo mantendo relação: “mas” por “contudo”, “portanto” por “logo”.
  • Nominalização: “Ele decidiu viajar” ↔ “A decisão de viajar”.
Dica: na passiva, o agente da passiva pode ser omitido se for indeterminado ou irrelevante, mas a banca cobra a equivalência semântica.
Problemas frequentes em reescrita
  • Mudança de modalidade (certeza ↔ dúvida): “É possível que chova” difere de “Vai chover”.
  • Troca de conectivo com valor diferente: “e” (adição) por “mas” (adversidade).
  • Deslocamento temporal: “Depois de estudar, saiu” ≠ “Antes de estudar, saiu”.
  • Erro de concordância ou regência na reescrita.
  • Ambiguidade pronominal: “João disse que ele saiu” – quem saiu?
Exemplo clássico: “O presidente evitou falar sobre o caso, o que irritou a oposição.” – reescrita que elimina “o que” pode perder a coesão.

Estratégias de reescrita para o CEBRASPE

O que mais cai em itens de reescrita (certo/errado)
1. Equivalência entre voz ativa e passiva

A voz passiva analítica (ser + particípio) deve preservar o sentido temporal e a relação entre os argumentos.
✅ “Os fiscais aplicaram a prova” → “A prova foi aplicada pelos fiscais”.
❌ “A prova foi aplicada” (agente omitido) – ainda é equivalente? Sim, desde que a omissão não prejudique o sentido original. O CEBRASPE considera equivalente apenas se a omissão for permitida.
Cuidado: “Havia muitos candidatos” (impessoal) não admite passiva: “Muitos candidatos eram havidos” – ERRO.

2. Substituição de conectivos – manter a relação lógica

Conjunções coordenativas e subordinativas têm valores semânticos específicos. Substituir uma por outra de mesmo valor é correto; trocar por valor diferente é erro.
Ex.: “Estudou, mas não passou” (adversativa) → “Estudou, contudo não passou” (correto).
Ex.: “Estudou, portanto passou” (conclusiva) → “Estudou, logo passou” (correto).
Pegadinha: “Estudou, porque não passou” (causa?) – errado, inverte sentido.

3. Transformação de discurso direto para indireto – alterações obrigatórias

No discurso indireto, há mudança de pessoa, tempo verbal, pronomes e advérbios.
✅ Direto: “Ele disse: ‘Voltarei amanhã’.” → Indireto: “Ele disse que voltaria no dia seguinte”.
❌ Manter o tempo futuro ou o advérbio “amanhã” no indireto constitui erro.
CEBRASPE adora cobrar essa adequação.

Mudanças típicas: presente → pretérito imperfeito; futuro do presente → futuro do pretérito; “aqui” → “ali”; “este” → “esse”; “hoje” → “naquele dia”.
4. Nominalização e desnominalização – cuidado com a perda de informação

Transformar verbo em substantivo pode tornar o texto mais formal, mas pode também suprimir relações temporais ou modais.
“A empresa investiu muito” → “O grande investimento da empresa” (perde-se o tempo verbal).
Se a reescrita elimina informação temporal importante, pode ser considerada não equivalente.

5. Reescrita com pronomes relativos – evitar ambiguidade

O pronome “que” pode gerar ambiguidade. A reescrita deve resolver ou manter a ambiguidade original? A norma é manter o sentido. Se a original é ambígua, a reescrita também pode ser; mas se a original é clara e a reescrita cria ambiguidade, está errada.
Ex.: “O livro do autor que foi premiado” (quem foi premiado?) – já ambíguo. Qualquer reescrita que escolha um dos sentidos sem contexto altera o sentido original. Portanto, seria errada.

Tabela de equivalências válidas em reescrita

OriginalReescrita válidaObservação
João comprou o carro.O carro foi comprado por João.Voz passiva analítica – equivalente.
Ele não só estuda mas também trabalha.Ele estuda e também trabalha.Manutenção da adição.
Quando ele chegou, todos saíram.Chegando ele, todos saíram.Redução de temporal – equivalente.
É proibido fumar.Fumar é proibido.Inversão com verbo de ligação – equivalente.
O funcionário respondeu ao cliente.O cliente foi respondido pelo funcionário.Passiva de TI – o correto é “foi respondido” (aceito na norma).

Questões estilo CEBRASPE – Reescrita

1. A reescrita da frase “O candidato respondeu todas as perguntas” para “Todas as perguntas foram respondidas pelo candidato” mantém o sentido original e a correção gramatical.

CERTO

Comentário: A transformação para voz passiva está correta e preserva o sentido. O verbo “responder” aqui é transitivo direto (respondeu as perguntas), sem preposição. A passiva está adequada.

2. A reescrita de “Ele disse: ‘Estudarei muito’” para “Ele disse que estudará muito” está correta e mantém a equivalência de sentido.

ERRADO

Comentário: No discurso indireto, o futuro do presente “estudarei” deve ser alterado para futuro do pretérito “estudaria” (ou, em algumas gramáticas, para o pretérito imperfeito “estudava” dependendo do contexto). A frase “disse que estudará” mantém o tempo futuro, o que não é padrão no indireto após o verbo no passado. O correto seria “disse que estudaria”.

3. “O presidente sancionou a lei, mas o Congresso a vetou” → reescrita: “O presidente sancionou a lei, e o Congresso a vetou”. A reescrita mantém o sentido original.

ERRADO

Comentário: A conjunção “mas” indica oposição/adversidade; “e” indica adição. A troca altera o sentido, tornando a reescrita não equivalente.

4. “Embora chovesse, fomos à praia” → reescrita: “Chovia, mas fomos à praia”. As duas frases são semanticamente equivalentes.

CERTO

Comentário: “Embora” (concessão) e “mas” (adversidade) podem expressar situações semelhantes de quebra de expectativa. Nesse caso, o sentido de contraste se mantém. A reescrita está correta.

5. A frase “Havia muitos problemas na empresa” foi reescrita como “Muitos problemas eram havidos na empresa”. Essa reescrita está gramaticalmente correta e mantém o sentido.

ERRADO

Comentário: O verbo “haver” no sentido de existir é impessoal, não admite voz passiva. A reescrita está incorreta e altera a estrutura gramatical de forma inaceitável.

6. “Ao final da reunião, o diretor saiu apressado” → reescrita: “Quando finalizou a reunião, o diretor saiu apressado”. A reescrita mantém a correção e o sentido.

CERTO

Comentário: A oração reduzida de infinitivo “ao final” foi transformada em oração temporal desenvolvida “quando finalizou”, preservando a ideia de tempo e a correção. Equivalente.

7. “A empresa precisa de funcionários qualificados” → reescrita: “Funcionários qualificados são precisados pela empresa”. Essa passiva está adequada.

ERRADO

Comentário: “Precisar” é transitivo indireto (precisar de). Verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva analítica com o objeto indireto como sujeito. A forma “são precisados” não é aceita. O correto seria apenas a voz ativa.

8. Original: “Os alunos entregaram os trabalhos, e os professores os corrigiram.” Reescrita: “Os trabalhos foram entregues pelos alunos, e os professores os corrigiram.” – A reescrita preserva o sentido, mas a correção gramatical não foi mantida.

ERRADO

Comentário: A reescrita está gramaticalmente correta (primeira oração na passiva, segunda na ativa). O sentido é equivalente. Não houve erro. Portanto, a afirmação de que “a correção gramatical não foi mantida” é falsa. Item errado.

Dicas de ouro para reescrita no CEBRASPE

#1
Verifique a manutenção da relação lógica (causa, consequência, condição, oposição, tempo). Trocar “porque” por “já que” sim; trocar por “portanto” não.
#2
Na passiva, verbos impessoais (haver, fazer tempo) e verbos TI (precisar de, gostar de) não admitem transformação.
#3
Discurso indireto exige alteração de tempos e advérbios de lugar/tempo. Verbo da oração principal no pretérito → verbo do indireto no pretérito imperfeito ou futuro do pretérito.
#4
Evite ambiguidade pronominal ao reescrever. Se houver dois possíveis antecedentes, a reescrita que opta por um deles sem contexto altera o sentido.
#5
Reduza orações apenas quando o sentido temporal/causal/etc. se mantiver. “Ao chegar, avisou” equivale a “Quando chegou, avisou”.
#6
A substituição de palavras por sinônimos só é válida se o sinônimo tiver o mesmo sentido no contexto. Ex.: “alegre” por “feliz” sim; “alegre” por “eufórico” pode alterar a intensidade.
Estratégia Leia a frase original e a reescrita. Isoladamente, compare: 1) o tempo verbal; 2) a relação lógica entre orações; 3) a presença/ausência de palavras negativas; 4) a referência pronominal; 5) a voz verbal. Qualquer diferença que altere o significado torna o item errado.

Resumo estratégico para o CEBRASPE – Reescrita

Pontos essenciais para julgar itens de reescrita
Mapa mental da prova Frase original → identificar núcleos de sentido (ações, tempos, relações lógicas, negações) → comparar com a reescrita → houve alteração de qualquer desses elementos? Sim → ERRADO. Não → verificar gramática e coesão → se ok, CERTO.